Mercado ilegal de ARLA 32: riscos, fraudes e como se proteger

O ARLA 32 é obrigatório em caminhões e ônibus equipados com sistema SCR e tem papel decisivo para que os veículos pesados atendam aos limites de emissões do Proconve P7 e, principalmente, da fase P8, equivalente ao Euro 6. Apesar disso, o mercado brasileiro ainda convive com um forte “gap” entre o consumo real e o volume que seria esperado para a frota em circulação, o que revela a presença de fraudes, adulterações e dispositivos que burlam o sistema.

O que é o mercado ilegal de ARLA 32

Na prática, o mercado ilegal envolve três frentes principais: ARLA 32 falsificado (produzido com ureia agrícola ou água comum), uso de emuladores eletrônicos que enganam o sistema SCR e a oferta de produtos sem qualquer controle de qualidade ou origem. Esse cenário explica por que estudos apontam que o consumo de ARLA 32 no Brasil ainda está dezenas de pontos percentuais abaixo do necessário para a frota nacional, mesmo com a entrada em vigor da fase P8 para veículos pesados.

Além de prejudicar fabricantes sérios e postos que trabalham corretamente, esse mercado paralelo reduz a eficácia das políticas ambientais, pois veículos que deveriam emitir muito menos NOx acabam poluindo em níveis semelhantes aos de caminhões bem mais antigos. Isso se traduz em piora da qualidade do ar, mais problemas respiratórios nas cidades e perda de credibilidade dos programas de controle de emissões.​

Como as fraudes acontecem na prática

Um dos artifícios mais comuns é o uso dos chamados emuladores ou “chips” de ARLA 32, que alteram as informações lidas pela central eletrônica do veículo e fazem o painel indicar uso normal do reagente mesmo com o reservatório vazio. Dessa forma, o caminhão continua rodando sem injeção de ARLA, não reduz NOx como deveria e ainda mascara falhas que, pela norma P8, deveriam ser detectadas pelo sistema OBD.​

Outro foco de fraude está na produção e venda de ARLA 32 adulterado, muitas vezes fabricado com ureia de uso agrícola e água que não é desmineralizada. Fiscalizações da Polícia Rodoviária Federal e do Ibama já flagraram milhares de litros de produto falsificado e autuaram empresas por utilizarem matéria‑prima inadequada ou comercializarem reagentes fora de especificação.

Riscos mecânicos e ambientais do ARLA adulterado

Do ponto de vista técnico, o ARLA 32 fora de especificação aumenta o risco de corrosão e entupimentos no sistema de exaustão, prejudicando a vida útil do catalisador SCR e podendo gerar panes graves no caminhão. Fabricantes e estudos apontam que, quando usado corretamente, o ARLA 32 é capaz de reduzir emissões de NOx em patamares superiores a 90%, enquanto a versão adulterada eleva novamente essas emissões e compromete todo o projeto de controle ambiental do veículo.​

Além disso, a presença de minerais, metais e outros contaminantes oriundos de ureia inadequada ou de água não tratada faz com que o sistema perca eficiência, aumenta o consumo de combustível e pode levar à perda de garantia por uso de produto fora das normas. Em um cenário de Proconve P8, no qual os limites de NOx são muito mais rigorosos, a qualidade do ARLA deixa de ser detalhe e passa a ser requisito crítico de desempenho e conformidade.​

Penalidades: infração grave e crime ambiental

No campo jurídico, a não utilização correta do ARLA 32 é considerada infração de trânsito grave pelo Código de Trânsito Brasileiro, com base na Resolução Contran 666/2017. Isso significa multa, cinco pontos na CNH, retenção do veículo para regularização e possibilidade de apreensão até que a irregularidade seja sanada, inclusive nos casos em que testes em fiscalização comprovem adulteração do produto.​

Quando há adulteração ou fraude intencional, o caso avança para esfera penal e passa a ser enquadrado na Lei de Crimes Ambientais, com previsão de detenção que pode chegar a quatro anos, além de multa. Há ainda projetos de lei em discussão que buscam responsabilizar de forma mais direta as empresas proprietárias da frota por irregularidades no uso de ARLA 32, e não apenas o motorista flagrado na operação.​

Como identificar ARLA 32 falsificado na prática

Para se proteger, o primeiro passo é observar a procedência: prefira fornecedores reconhecidos, distribuidoras autorizadas e postos que comprovem a origem do produto com nota fiscal clara e indicação do fabricante. Verifique a embalagem, rótulo, número de lote, data de validade e menção às normas aplicáveis; rótulos de baixa qualidade, informações confusas e preços muito abaixo da média são alertas importantes.​

Outro recurso é o uso de testes de campo. Órgãos de fiscalização utilizam refratômetro para checar a concentração de ureia e kits químicos simples que indicam presença de minerais ou produtos fora de especificação, tecnologia que hoje também está disponível para frotistas e postos. Para operações mais sensíveis, é possível adotar rotinas periódicas de análise em laboratório ou parcerias com empresas que oferecem programas de monitoramento da qualidade do ARLA 32 utilizado na frota.​​

Boas práticas para transportadoras e motoristas

Transportadoras e autônomos que desejam reduzir risco devem criar procedimentos internos de compra e armazenamento, incluindo cadastro de fornecedores confiáveis, controle de lotes e registro de notas fiscais de ARLA 32 abastecido em cada veículo. Também é recomendável treinar motoristas e equipes de manutenção para reconhecer sinais de fraudes, entender os avisos do sistema SCR e recusar produtos suspeitos, mesmo que mais baratos.​

Por fim, alinhar‑se às exigências do Proconve P8, manter o sistema SCR em perfeito estado e utilizar apenas Arla 32 certificado é mais do que uma questão legal: trata‑se de proteger o investimento no veículo, evitar paradas não programadas e contribuir efetivamente para a redução de emissões nas estradas brasileiras.

A Merkato apoia empresas que desejam trabalhar dentro das normas, reduzir riscos legais e garantir o uso correto do ARLA 32. Se sua empresa precisa de ajuda com processos, qualidade ou conformidade, fale conosco.

Compartilhar :
Sign up our newsletter to get update information, news and free insight.
Advertisement

Artigos Relacionados